Publicado 05/05/16 às 12:02

Desabafo de um leitor que precisou da rede pública de Saúde


Na madrugada de sábado dia 30 de abril, por volta de 01h, fui picado no cotovelo por um escorpião amarelo em minha casa, no Lago Norte. Fato inusitado, já que resido aqui desde o ano passado e nunca houve nenhum caso de escorpião. Consegui prender o aracnídeo, coloquei num frasco de vidro com tampa e fui para o HRAN, que eu até então achava que era o hospital de referência para esse tipo de emergência.

Chegando lá, por volta de 01h30minh, não fui atendido. O plantonista que faz o atendimento inicial (GAE, eu acho) disse que o hospital não estava atendendo ninguém. Insisti e o mesmo me mandou falar com o vigilante que fica na portaria para ver se ele poderia resolver alguma coisa (!).

Falei com o vigilante, expliquei que havia sido picado por um escorpião, mostrei o animal no frasco, e o mesmo disse que se eu quisesse que eu tentasse falar com o chefe do plantão médico, Dr. Gilmar para ver se ele autorizava o atendimento, Assim o fiz. O vigilante ligou para um número e me passou o fone. 

Quando o Dr. Gilmar atendeu me identifiquei e expliquei o que tinha acontecido comigo e ele apenas perguntou quem tinha passado o telefone pra mim e que eu devolvesse o fone para ele. 

Devolvi o fone e fiquei esperando pra ver a tal solução.

O vigilante me disse que o Dr. Gilmar não autorizava o meu atendimento e que era pra eu procurar outro hospital!!!!

Isso já eram 02h e eu desesperado de dor não tinha mais o que argumentar com o vigilante, fui para o Hospital de Base. Lá a mesma coisa, mas insisti até conseguir ser atendido pela chefe do plantão, Enfermeira Meire (sic), que também disse que não poderia fazer nada e que eu deveria voltar para o HRAN. 

Expliquei pra ela o que tinha acontecido no HRAN, e implorei pra ela que, mesmo que não houvesse o soro antiescorpiônico no HDB, que ela providenciasse uma medicação paliativa pra dor. Ela se negou. Nem saiu da cadeira que estava. 

Depois de muito conversar com ela, ela começou a ligar em outros hospitais para saber se havia o soro em algum outro lugar... Segundo ela, havia o tal soro no hospital de Samambaia, que eu deveria ir pra lá imediatamente pra ser socorrido. Isto eu fiz!

Cheguei a Samambaia por volta da 03h, procurei atendimento e, pasme você, a enfermeira que foi acordada para me atender, com muita má vontade me disse que lã não tinha nem soro antirrábica QUE DIRÁ PARA ESCORPIÃO. Muito grosseiramente me disse que eu deveria ir para o HRT!!!!

04h da manhã, voltei para o HRAN, agora implorando que alguém me atendesse, só a partir daí, não sei o porquê, me atenderam. 

Mas apenas com cuidados paliativos, e o médico que me atendeu me disse que o HRAN mão é referência pra animais peçonhentos, e que eu poderia sim ser atendido em qualquer unidade. Mesmo com muitas dores, com o braço arroxeado e com câimbras, uma dor de cabeça lancinante e P.A. de 17X11, fui medicado com Tramadol e Dipirona. Soro ? Nem pensar , não existe na rede de saúde, nem em hospitais particulares e nem na farmácia, se você quiser comprar.

Voltei pra casa às 08h, e até hoje estou sentindo os efeitos da toxina no meu organismo...

Escrevo isso como um alerta para todos que possam vir a passar pelo mesmo apuro que eu.

ZapZap
 
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