Publicado 14/07/15 às 11:00

Polêmica: Manutenção a peso de ouro





Por Kelly Almeida

Você acha demais pagar R$ 30 mil em duas revisões do seu carro num prazo de três meses? Pois a Polícia Militar do Distrito Federal parece não se preocupar muito com o dinheiro gasto na manutenção das 378 Mitsubishi Pajeros usadas no policiamento da cidade. Entre setembro de 2014 e janeiro deste ano, a PM desembolsou R$ 4.961.966,44 com reparos nesses veículos. O valor gasto com uma só viatura, em apenas duas visitas à oficina, por exemplo, seria suficiente para comprar um carro popular.

É tanto dinheiro em tão pouco tempo que a despesa está sob investigação do Ministério Público do DF e é alvo de uma auditoria na própria PM. O serviço de manutenção é feito pela oficina RR Guilherme Automóveis, que abocanhou o contrato, no valor total de R$ 5,7 milhões, num pregão em setembro do ano passado, com validade de 12 meses. Os recursos são do Fundo Constitucional do DF.

Mesmo tanto dinheiro não foi suficiente. E olha que a frota tem apenas três anos de uso. Em janeiro último, um aditivo de R$ 1,5 milhão foi autorizado. O trabalho da oficina, em um semestre, deu um salto de 455% em relação ao contrato assinado em 2013 com outra empresa para fazer a manutenção nas mesmas 378 Pajeros. À época, aconteceu o contrário: o orçamento era de R$ 3,4 milhões, mas foram consumidos R$ 900 mil em nove meses.

O comando da PM confirma que investiga o caso. Um documento “reservado” aponta 15 possíveis irregularidades na execução do contrato. Entre elas, falta de controle sobre a substituição das peças e quantidade de horas de mão-de-obra cobrada em cada revisão. Com todo esse gasto, o dinheiro destinado para as peças acabou antes de o contrato vencer. Só sobraram recursos para mão de obra. Mesmo assim, as viaturas continuam indo para o conserto. Segundo oficiais da corporação, a oficina estaria “doando” as peças. Muito estranho, já que, até então, inclusive parafusos eram cobrados pela empresa.

O proprietário da oficina, Guilherme Ribeiro de Rezende, afirma que a empresa, localizada no Guará, presta serviços para órgãos locais e federais desde 2006 e que todas as revisões envolvidas no contrato com a PM são executadas exatamente como foi estipulado no edital. Mal começaram as investigações e muitos PMs já estão perdendo o sono. E olha que o Ministério Público está prestes a pedir perícia das peças substituídas para saber se o serviço era realmente necessário...

Foto: Rafaela Felicciano

Fonte: Facebook 

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