03/10/2018 às 10:57

A voz da Saúde na Câmara Legislativa


Informações Brasília Capital 
Dr. Gutemberg Fialho (PR) é candidato a deputado distrital para ser “a voz da Saúde na Câmara Legislativa. Presidente licenciado do Sindicato dos Médicos (SindMédico-DF), ele também é defensor da melhoria das condições de trabalho e salariais dos servidores públicos. Morador de Taguatinga, tem uma preocupação especial com os moradores das áreas mais carentes. Nesta entrevista ao Brasília Capital, ele reitera compromissos que pretende levar para sua atuação parlamentar, caso seja eleito no domingo (7). Aliado e colega de profissão de Jofran Frejat,  é favorável à valorização do atendimento por especialistas nos postos e centros de saúde para reduzir a pressão sobre os hospitais.
Dr. Gutemberg: “Precisamos do mandato parlamentar para, junto com a sociedade, mudar a história de Brasília, que é espelho para o Brasil”. Foto: Renan Baffi
O senhor se apresenta como o candidato que representará a Saúde na Câmara Legislativa. Como um distrital pode contribuir para melhorar a saúde pública do DF? – A presença de um parlamentar representando a Saúde na Câmara é fundamental. Primeiro, para apresentar projetos no sentido de resolver as carências e as demandas da população com relação à assistência médica. Segundo, apoiar as propostas do governo que venham ao encontro de nossa visão de políticas públicas, além de fazer oposição àquelas que nós entendemos que vêm de encontro à assistência e prejudicar a assistência.
O atual governo criou o Instituto Hospital de Base. O senhor acha que este é o caminho para resolver os problemas da Saúde no DF? – O IHBDF foi a gota de uma morte anunciada. Desde o início eu avisei que o governo queria apenas criar um discurso para a campanha eleitoral. O Instituto não é uma boa ideia, porque foi feito às pressas. E ele mexeu no principal hospital terciário da cidade. Hoje, a ideia de terceirizar, privatizar, vem na contramão da história. Se observamos, a Inglaterra está condenando as privatizações do governo Margaret Thatcher, reconhecendo que foi um erro. E nós estamos aqui começando a querer cometer o erro que os ingleses estão querendo corrigir. Nós precisamos ampliar a assistência médica. Precisamos aumentar a inclusão e utilizar todas as formas de políticas públicas possíveis. Não uma só. O governo Rollemberg quer criar institutos em todos os hospitais. O Instituto Hospital de Base não está dando resultado, os pacientes continuam tendo dificuldade de ter acesso, de realizar cirurgias e morrendo de mortes evitáveis.
Mas no modelo antigo isto também ocorria. O senhor não concorda que alguma coisa o governo precisaria fazer para tentar resolver o problema? – Precisamos de políticas públicas imediatas e a médio e longo prazos. É fundamental que se conheça o processo do trabalho médico para entender que é necessário que se tenha na gestão pública da saúde o sentimento de urgência. É saber que as pessoas estão morrendo e nós precisamos tomar medidas para evitar os óbitos evitáveis e traçar as políticas de médio e longo prazo que vão recuperar o sistema.
Dê exemplos dessas políticas? – Precisamos contratar mais profissionais, redimensionar os recursos humanos da Secretaria e não só médicos, mas auxiliar de enfermagem, farmacêuticos, enfermeiro, bioquímico, pessoal administrativo. É necessário equipar os hospitais, seja com tecnologia avançada, seja com manutenção dos existentes, e com insumos básicos. Hoje falta de fralda a espátula para examinar a garganta da criança. É necessário que se contrate recursos humanos e que se promova o abastecimento dos hospitais de forma que não haja solução de continuidade no abastecimento para evitar mortes evitáveis.
Em governos anteriores, seu correligionário Jofran Frejat, quando foi secretário, implantou o modelo dos postos de saúde. Isto ainda seria viável para os dias de hoje? – O que se faz hoje não é diferente do que o Frejat fez 30 anos atrás. A criação dos centros e postos de saúde é o que se faz hoje com outros nomes. O Frejat criou a rede de centros de saúde e postos de saúde hierarquizados, que copiaram o modelo inglês na época. Ele levou para os centros de saúde, junto com o generalista, que é o médico de família hoje, os especialistas.
Qual o grande problema do modelo implantado pelo atual governador? – Foi a retirada dos especialistas dos centros e postos de saúde. Tirou o pediatra, o clinico e o ginecologista. Na nossa proposta junto ao candidato do nosso partido e as pessoas com quem nós temos a oportunidade de conversar e influenciar, os especialistas retornam. Tem que retornar para os centros de saúde o clinico, o pediatra, o ginecologista, para ser aquele profissional que vai dar o suporte ao médico de família.
O modelo do Saúde em Casa, testado e aprovado aqui no DF, não seria uma alternativa para voltar a ser implementada? – O Saúde em Casa e a Estratégia de Saúde da Família é tudo espécie do mesmo gênero. É um médico fazendo um acompanhamento das famílias em casa, fazendo a busca e o acompanhamento das doenças, verificando se o tratamento está sendo eficaz ou não, se os pacientes estão seguindo ou não as orientações, e dependendo da necessidade encaminhar para o especialista.
Além de médico, o senhor é servidor público e morador de cidade-satélite. Sua candidatura tem propostas para essas áreas? – Como médico e presidente licenciado do SindMédico, nós temos a preocupação com a saúde. Temos que expandir a rede de centros de saúde. Mais de 2 milhões de pessoas perderam planos de saúde nos últimos meses. Portanto, é necessário que haja a presença do Estado numa cidade como Águas Claras, por exemplo, que tem uma classe média alta. Como servidor público, eu liderei a negociação da greve de 33 categorias em relação aos aumentos concedidos pelo governo passado. Nós derrotamos o governo no Tribunal de Justiça por 17 a 0. Sou médico do trabalho da Secretaria de Planejamento. Lá eu recebo os servidores de todas as secretarias e constatamos um enorme índice de adoecimento. O servidor público hoje está adoecendo no trabalho e trabalhando doente. É crise de ansiedade, depressão, tentativa de suicídio. Portanto, nós precisamos investir na qualidade de vida do servidor público. Oferecer melhores condições de trabalho e uma política de saúde ocupacional que valorize o servidor. Resgatar a autoestima do servidor para que ele produza mais e atenda à demanda da população.
Dr. Gutemberg: “Precisamos ampliar a assistência médica., a inclusão e utilizar todas as formas de políticas públicas possíveis” Foto: Renan Baffi
Como o senhor atuaria para atender à população mais carente, que demanda mais serviços do Estado? – A população mais carente hoje sofre com a precarização da saúde, com os centro de saúde sem funcionários. Temos que contratar mais médicos. A Secretaria de Saúde tem um déficit de mais de 4 mil profissionais. Na questão da educação, precisamos aumentar o número de vagas. Hoje temos salas de aula sobrecarregadas. O último relatório do Tribunal de Contas do DF mostra que 70% das escolas do DF não têm condições de receber as crianças. Precisamos investir na melhoria das escolas, na educação em período integral. Quanto à Segurança Pública, temos um déficit enorme de gente na Polícia Militar e na Civil. Há 25 anos Brasília tinha 13 mil PMs para 1,5 milhão de habitantes e agora temos 11 mil para 3 milhões. Tínhamos 4,7 mil policiais civis e hoje temos 200 a menos com o dobro da população. Quem trabalha na prestação de serviço público deve trabalhar com planejamento estratégico, cumprimento de metas, avaliação, desempenho e, sobretudo, avaliação do servidor, seja concursado, terceirizado ou comissionado.
Qual o seu compromisso com nossa cidade caso se eleja deputado distrital? – Precisamos mudar a história da cidade. Temos que voltar com esperança e, juntos, mudar o Brasil. O exercício da cidadania é fundamental. No dia 7 de outubro nós precisamos conquistar a legitimidade para continuar nosso trabalho, que até então tem acontecido como um cidadão atuante, que preside o Sindicato dos Médicos beneficiando a coletividade. Mas precisamos do mandato parlamentar para dar legitimidade e, junto com a sociedade, mudar a história da cidade. A capital da República é o espelho para o Brasil.

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