30/08/2017 às 10:25

Ex-ministro poderá ser lançado ao Buriti, como surpresa do PT



Informações Francisco Dutra - Jornal de Brasília 

O PT trava uma batalha silenciosa pela definição da candidatura para o governo do Distrito Federal nas eleições de 2018. Enquanto algumas correntes defendem a apresentação de um nome regional conhecido pelo eleitorado, outras apostam em novas propostas. No embate, ganha força a defesa de uma chapa encabeçada por Ricardo Berzoini, ex-ministro do Trabalho e ex-deputado federal por São Paulo. O deputado distrital Chico Vigilante (PT) é um dos entusiastas desta tática.

“O Ricardo foi um grande ministro do trabalho, um excelente deputado federal. Mora em Brasília há 15 anos. Se quiser, poderá ser o candidato. Eu estou afirmando”, crava Vigilante. Defendendo abertamente o nome de Berzoini, o deputado argumenta que o ex-ministro é um membro histórico da sigla e tem plenas condições, técnicas e políticas, para a corrida eleitoral. “Já conversamos uma vez. Ele me disse que não queria, mas que o nome está a disposição do partido”, completa.

Apesar do apoio de Vigilante, o nome de Berzoini ainda não é consenso dentro da sigla. Correntes consideram que escolher o ex-ministro seria erro de estratégia, pois abriria margem para a eleição de um nome distante das bases do partido, cujo eventual governo poderia ser desvinculado das bandeiras do partido.

As vozes discordantes citam como exemplo o governo de Agnelo Queiroz (PT). Vindo do PCdoB, ele foi protagonista de uma das administrações do DF mais criticadas pela população, de 2011 a 2014. Naufragou na tentativa de reeleição, sem ir para o 2º turno. Críticos também apontam o caso de Cristovam Buarque. Sem laços históricos com a legenda, Buarque fez um governo que entrou em rota de colisão com servidores, em especial os professores, de 1995 a 1998. Não conseguiu a reeleição, migrando para o PDT e hoje critica o PT, como senador do PPS.

Adiamento da executiva cria problema

A suspensão inesperada da primeira reunião da executiva regional despertou um forte mal estar entre as fileiras do PT. Marcada para o último sábado com mais de um mês de antecedência, a conversa teria sido desmarcada em função do atraso da própria presidente regional, deputada Érika Kokay.

Vozes em praticamente todas as instâncias do partido consideram o episódio um sinal de falta de planejamento. Militantes e medalhões ficam ainda mais preocupados pelo fato de praticamente todos os partidos de esquerda já estarem trabalhando oficialmente em candidaturas, a exemplos do PCdoB e do PSOL.

Em conversas reservadas, alguns membros do partido especulam que o adiamento da reunião foi um movimento para fortalecer chapas com nomes “novos”. Berzoini foi ministro durante a gestão do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. E quanto mais avança a tentativa de reeleição de Lula, aumenta proporcionalmente a força de Berzoini.

VERSÃO OFICIAL

“Não há crise. Não há falta de rumo. Não há falta e decisão”, afirma a presidente regional Érika Kokay. Segundo ela, a reunião foi adiada porque se atrasou em função de um compromisso repentino com a bancada do PT na Câmara Federal. “Quando cheguei, algumas pessoas já tinham ido. Achamos por bem remarcar a reunião para a próxima segunda-feira, dia 4”, explica. 

Segundo Kokay, o partido se prepara para a eleição dos coordenadores setoriais e deverá até outubro definir a tática para 2018. “Lutei contra a ditadura. As pessoas têm liberdade para fazer críticas e o fórum adequado é a reunião da Executiva. 

Penso que a discussão viva gera as melhores decisões”, desabafa a parlamentar. Kokay lembra que a votação da reforma política poderá ser uma variável importante para 2018. “E até agora não há partido algum, nem mesmo o PSB do governador Rollemberg, que já tenha determinado ou decidido os seus candidatos”, conclui. 

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