Publicado 06/07/16 às 00:01

Coluna do Celson Bianchi


Entrevista especial Ricardo Vale (PT) - deputado distrital

O deputado distrital Ricardo Vale está no segundo ano de sua primeira legislatura na Câmara Legislativa. Ele é considerado uma esperança na renovação do PT e da política do DF. Nesse curto período Vale se destacou em debates e proposição de leis polêmicas como, por exemplo, a lei que alterou o nome da Ponte Costa e Silva para Ponte Honestino Guimarães. Também foi ele que propôs a alteração da Lei do Silêncio e ainda é autor de uma proposta mudança na lei orgânica do DF para impedir as OSs de atuarem no DF. Conversamos com o deputado petista, que de forma muito tranquila continuou polemizando em temas importantes da cidade. 

CB- Deputado, gostaria que você fizesse um balanço desse 1º semestre na Câmara Legislativa. 

Ricardo Vale- Foi um semestre difícil, de muitos debates, mas foi de conquistas e compensador para mim e para o nosso mandato. Reafirmamos nossas posições em defesa dos trabalhadores, encerramos a CPI dos Transportes, continuamos na batalha para alteração da Lei do Silêncio e apresentamos uma Proposta de Emenda à Lei Orgânica (PELO 43/2016) para evitar a privatização da saúde pública no DF. Além disso, ajudamos a aproximar os servidores públicos do Governo do Distrito Federal, tentando melhorar o nível do diálogo com várias categorias. Sinto que nossa responsabilidade é fazer com que o Distrito Federal melhore, tenha mais qualidade de vida, tenha um futuro mais agradável. Nosso papel é legislar e articular para que essa melhora aconteça todos os dias. 

CB- Por falar na PELO 43/2016 apresentada por você , como está essa história da implementação das OSs na Saúde do DF?

Ricardo Vale- Avalio que o GDF terá muita resistência da população para implementação das OSs aqui em Brasília. Já disse isso para governo, que embora tenha desistido de privatizar os hospitais, quer passar a gestão das UPAs e centros de saúde para as Organizações Sociais, sem dialogar com os servidores da saúde, com a Câmara Legislativa e com a sociedade. Ano passado convoquei os 2 ex secretários de Saúde para explicar qual seria a política de saúde do atual governo e a questão das OSs para os deputados distritais, nenhum dos ex-secretários foi claro e conseguiu me convencer da necessidade real de implementação dessas OSs. Nos estados em que foram implementadas as organizações sociais os resultados são horríveis. Baixos índices de melhora no atendimento ao público, nada de melhora na gestão administrativa dos hospitais e muita corrupção. Como ser favorável a algo assim? O projeto que apresentei, contra as OSs, deve ir para o plenário no próximo semestre e estou trabalhando junto aos deputados para que seja aprovado.

CB- Por falar em Câmara Legislativa, sabemos que a relação entre os deputados e o GDF está bem tensa. Como está sua relação com o governador Rollemberg? 

Ricardo Vale- Olha, eu tenho uma boa relação com o governador Rodrigo Rollemberg. Acho que ele é uma pessoa bem intencionada e tem tentado acertar na condução do governo. Tenho sempre procurado dialogar com ele e apontar caminhos que considero importantes para melhorar a cidade. Sou um deputado de oposição mas prefiro o diálogo a ficar apenas criticando as ações do governo. Mesmo nas coisas que não concordo tento convencer o governo no debate. Percebo que na força, na pressão e no grito as coisas não avançam mais. Este tipo de postura está ultrapassada na relações políticas. A pressão maior deve vir sempre da sociedade organizada, dos movimentos sociais e dos trabalhadores. 

O governador foi eleito para governar e nós deputados, mesmo estando na oposição, temos que respeitar a forma dele. Aliás, falta de respeito, intolerância e ódio não está faltando por parte de algumas lideranças políticas. Eles desrespeitam o governador e a própria sociedade. No fundo, quero que Rollemberg acerte e não tenho nenhum receio de afirmar e trabalhar para isso, não faço política torcendo pelo fracasso dos outros. Estando bom o governo, dando certo, será bom para a população. Isso é o que me interessa.

CB- E o PT? Ainda se escuta na cidade que você pode deixar a legenda. Com está sua relação com o partido? 

Ricardo Vale -  O PT é um grande partido, que transformou o Brasil para melhor, tirou milhares de pessoas da linha da miséria. Foi pela luta de seus militantes e levantando sempre as bandeiras em defesa da classe trabalhadora que isso foi possível. Mas, o partido também cometeu erros, como todo partido que chega ao poder e permanece por muito anos. Eu não penso em deixar o PT, até porque considero que não existe mais partidos bons ou puros hoje no Brasil. Todos erraram. Os partidos são feitos de pessoas e pessoas se corrompem. 

Agora o PT não deveria ter se desviado tanto, afinal de contas, ele foi criado para contrapor e combater as velhas práticas corruptas dos partidos de direita. Depois que chegamos à Presidência da República o PT se acomodou e se adaptou ao sistema. É triste. Mas, ao contrário do que alguns espalham, eu continuo aqui, fazendo a defesa do partido de acordo com meus princípios. Você é o que é em qualquer lugar, em qualquer partido.

CB- Você está indo pra base do governo?

Ricardo Vale -  Não! O governador não convidou o PT para fazer parte da sua base. Mas, mesmo assim, nossa bancada tem ajudado bastante o Governo do Distrito Federal. Aliás, temos ajudado muito mais que a própria base do governo.


E agora?

A Câmara dos Deputados realizou na segunda-feira (04) Sessão Solene em homenagem aos bombeiros do DF. Os deputados federais Izalci (PSDB) e Fraga (DEM) fizeram discursos calorosos. Ao final receberam palavras de apoio e abraços. Os militares notaram a ausência de outro deputado do DF, Laerte Bessa (PR), que semana passada jurou de pé junto a coluna que tem liderado conversas com o Planalto no sentido de valorizar as forças de segurança da Capital.


Desperdício! 

Exemplo de como desperdiçar dinheiro público. Painel eletrônico usado no trânsito, objeto de um contrato com custo anual de R$ 4,4 milhões, está desligado e "largado" no estacionamento em frente ao Tribunal de Justiça.

Fiscalização

O Procon-DF inicia hoje (6) a operação Ganhando Tempo. A ação consiste em fiscalizar trinta bancos do Distrito Federal a fim de averiguar principalmente se a Lei da Fila está sendo obedecida pelos estabelecimentos bancários. As cabines de segurança para os consumidores terem privacidade ao digitar suas senhas, entre outros itens também serão observados. A operação será finalizada na quinta-feira (7).

Fiscalização 2

De acordo com a diretora do Procon, Ivone Oliveira, as operações garantem segurança e transparência aos usuários do sistema bancário. "Recebemos as reclamações pelo número 151 e damos o retorno aos consumidores. A fiscalização será cada vez mais contínua e rigorosa e todos as áreas", destacou a diretora.

REFLEXÃO DO DIA 

Agosto será lembrado como o mês ressurgimento da democracia no país, com a recondução ao governo da presidenta Dilma Rousseff derrotando o golpe.

Chico Vigilante (PT) - deputado distrital 

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