Publicado 26/07/16 às 00:03

Coluna do Celson Bianchi


Entrevista Especial com Miguel Lucena- Diretor de Comunicação da Polícia Civil do Distrito Federal

Celson Bianchi- Como observador da cena política, o que mais o incomoda no momento?

Miguel Lucena-  A hipocrisia da maioria dos políticos, o que reflete muito do que acontece na sociedade. Os abraços, os sorrisos, os apertos de mão, os discursos, tudo parece elaborado para enganar e iludir. Não há espaço para a ética da sinceridade. Se as pessoas soubessem o que há por trás de cada CPI que se instala, a atmosfera ficaria irrespirável.


CB- Mas os delegados acabaram de aprovar em assembleia geral participar como voluntários na CPI da Saúde, para investigar as denúncias de Marli Rodrigues.

ML- Eu não estive presente à assembleia, mas considero um equívoco misturar campanha salarial com política. Além disso, não há previsão legal para o Delegado de Polícia realizar investigação como voluntário. O agente público deve fazer o que a lei manda e o particular pode fazer o que a lei não proíbe. Se a lei determina de modo diferente – a investigação de crimes é atribuição das Polícias Civis e Federal -, não há como os delegados auxiliarem a CPI, não estando cedidos formalmente, sem incorrer em ilegalidade.

CB-  Há faixas espalhadas pelo Sinpol sobre um suposto sucateamento da Polícia Civil. Isso procede?

ML- O discurso do sucateamento da PCDF não tem fundamento. É feito para reforçar um pleito justo e merecido, que é a recomposição salarial dos policiais civis. Temos a Polícia melhor equipada do País, contamos com modernos equipamentos de investigações e perícias criminais, viaturas novas, armas, munições, coletes à prova de balas novos (1.500 foram distribuídos às unidades operacionais, mais 350 foram adquiridos, 1.200 em processo de aquisição), novos policiais contratados, concursos em andamento e várias obras sendo realizadas.
As aposentadorias ocorrem normalmente e vão sendo repostas com novos concursos.
Ocorreram 344 admissões do ano passado para cá.
Já está sendo elaborado projeto de novo concurso para o preenchimento de 1.500 cargos de Agente de Polícia e 300 de escrivães em 2017.
As operações se realizam a cada dia com mais intensidade. Somente hoje (21/07), ocorreram duas grandes operações - a M2, para desarticular gangues de São Sebastião, e a Calabouço, que desmantelou uma organização criminosa que abria empresas de fachada para aplicar golpes no mercado.
No primeiro semestre deste ano, a PCDF prendeu mais de 6 mil criminosos.

CB- Após seu retorno como Diretor de Comunicação da Polícia Civil do DF, a instituição voltou a ser destaque na mídia. Qual é o segredo?

ML- Acreditar no que faz e gostar da missão escolhida. Como qualquer pessoa, o profissional de Comunicação gosta de consideração e respeito. Tem gente que só procura o outro para pedir coisas e se torna inconveniente, mas a relação se torna agradável quando há trocas. É isso o que eu faço. Fico em tempo integral à disposição dos profissionais da mídia, não deixo perguntas sem respostas, dou o retorno no tempo certo (a pior coisa para um jornalista é pedir uma informação e não obter nenhuma resposta), retorno até para dizer não, e se não puder falar a verdade, por conta do sigilo de algumas informações, não invento mentiras. Esclareço dúvidas jurídicas que porventura algum jornalista apresente. Trato com igualdade o profissional iniciante e o mais graduado, certo das voltas que o mundo dá. Informo internamente tudo o que acontece. Durmo tarde e acordo cedo. Travo o bom combate. Compreendo a Comunicação como atividade estratégica de Inteligência e não como departamento de fofocas.

CB- Você não teme desgaste com os sindicatos ao rebater as informações que eles repassam sobre o suposto caos existente na Polícia Civil?

ML- Não, porque tenho convicção do que faço. Sou filiado tanto ao Sindicato dos Delegados quanto ao dos Agentes e ainda contribuo para a Adepol e a Agpcc. Já fui diretor do Sindepo e da Adepol, bem como, no passado, da Federação Nacional dos Jornalistas, do Sindicato dos Jornalistas da Paraíba e do Sindicato dos Jornalistas da Bahia. Sempre participei de campanhas salariais e sei que o sindicalista tem uma responsabilidade muito grande ao passar informações à sociedade. Uma coisa é dizer que o efetivo está baixo, porque a população quase triplicou nos últimos 23 anos, e outra é dizer que existe um caos para justificar uma campanha salarial. A recomposição salarial é justa não porque há caos, mas porque há perdas inflacionárias grandes, da ordem de 50%, e os policiais civis trabalham muito bem e merecem. 

Outro erro é trazer a ideologia da divisão para dentro da Polícia Civil, jogando delegados e peritos contra as demais categorias. Todos têm seu mérito e sua importância. Incomodar-se com ordens superiores e fazer comparações entre quem faz e quem manda é o mesmo que pensar em colocar o assessor no lugar do juiz, o analista no lugar do promotor e o escrevente no lugar do tabelião.

Obrigatoriedade 

Sancionada hoje a Lei nº 5.682/2016, de autoria do Distrital  Robério Negreiros (PSDB), que obriga os Centros de Formação de Condutores (autoescolas) a disponibilizarem intérprete de Libras, sem custo adicional, aos alunos com deficiência auditiva, sob pena de multa de R$5.000,00 (cinco mil reais). "Acessibilidade é um direito de todos e uma grande luta de nosso mandato!" - disse Robério Negreiros. 

Reflexão do dia 

O modelo do #EscolaSemPartido ameaça processar educadores que discutirem sexualidade e gênero em sala de aula. Cadê a pluralidade defendida?

Erika KokaY (PT)- deputada federal 

Fonte: Jornal Alô Brasília

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