Publicado 18/06/16 às 15:07

Buriti na mira de Izalci

 Por Agenda Capital/Delmo Menezes
Nascido em Araújos-MG, professor e contador, o deputado federal Izalci Lucas (PSDB-DF), está no seu terceiro mandato como deputado federal pelo Distrito Federal. Antes foi deputado distrital e secretário de Estado de Ciência e Tecnologia. 
Em entrevista exclusiva ao Agenda Capital, Izalci fala que é pré-candidato ao Governo do DF, e diz que tem experiência tanto no executivo, como no legislativo. Izalci faz duras críticas ao governo Rollemberg, afirmando que ele não reúne as mínimas condições para estar à frente do Executivo, e que não tem perfil de gestor. Ressalta, que quando Rollemberg entender como funciona a máquina, já acabou o governo.

Izalci afirma que se houver união das legendas de direita em torno de um nome, é possível conquistar uma vitória significativa.

Veja a entrevista na íntegra:

AC – Deputado, sabemos que as eleições de 2018 ainda estão longe, porém frequentemente temos ouvido falar que o senhor é pré-candidato ao governo do DF. Caso confirme a sua candidatura, qual é o seu projeto de governo?

Izalci –  Desde 2012 estou preparando um projeto de governo, preparando o DF não para eleição, mas para a próxima geração. Tenho um planejamento para 50 anos, evidentemente qualquer planejamento de longo prazo, você começa com o dia de amanhã, o curto, médio e longo prazo. Este projeto que estamos fazendo, vai servir como plano de governo, que espero transformar as ações em projeto de estado. Temos observado que tanto o governo federal como o estadual, cada ministério, cada secretaria, é como se fosse um governo diferente. Educação não conversa com esporte, esporte não conversa com a cultura, como se fosse governos diferentes, exatamente por falta de um projeto de estado. O que nós queremos para o DF, é que todos trabalhem em torno disso, não pode ter concorrência entre as secretarias, e muito menos a forma como está hoje. O governador Rodrigo Rollemberg, é muito bem-intencionado, mas ele não tem nenhum perfil de gestor. Quando você não tem perfil, mas sabe escolher os seus comandados, você consegue buscar pessoas com capacidade e experiência, porque a gestão pública é completamente diferente da gestão privada. Na gestão privada, você pode fazer tudo que não é proibido. Na gestão pública você pode fazer aquilo que é permitido. O que faltou neste governo, primeiro um planejamento, um plano de governo, um projeto de estado, não houve transição, e as eleições acontecem em outubro e você assume em janeiro, exatamente pra fazer a transição. Este governo não fez transição, este governo está aprendendo, conhecendo agora durante a gestão, coisa que quando ele entender como funciona a máquina, já acabou o governo.

AC – O PSDB perdeu no DF importantes quadros como o deputado distrital Raimundo Ribeiro. Como o senhor avalia esta situação?

Izalci  O deputado Raimundo é uma pessoa respeitada, mas você não pode colocar os interesses pessoais acima dos interesses partidário. No caso do Raimundo, ele colocou o PSDB a disposição dele, tanto é, que eles fizeram uma nominata, para elegê-lo. Não se aceitava deputado ou candidato acima de 8.000 mil votos, que é o tratamento que se dá aos pequenos partidos. Os partidos nanicos fazem isso. Eles não aceitam a entrada de um candidato que tenha potencial maior do que aquele que está comandando o processo. Para você ter uma ideia, o PSDB teve mais votos de legenda para distrital, do que o próprio Raimundo. O Raimundo só foi eleito, em função do voto de legenda, e da coligação que eu fiz com o PSDC. Sem os votos do PSDC, não faria nenhum deputado. Você não pode tratar um partido como o PSDB, que é o maior partido de oposição do país (governo Dilma), que tem potencial violento, inclusive com candidatura à Presidência da República. Tratá-lo como se fosse um partido de menor expressão. Então esse foi o grande erro dele. Mas nós trouxemos agora o Robério, estamos tentando o Paulo Roriz, estamos trazendo vários pré-candidatos, para participar do partido. Nós queremos que o PSDB, tenha no mínimo 03 deputados distritais, e vamos trabalhar para termos pelo menos 02 deputados federais.

AC – O PSDB sempre foi um partido acessório no DF. Foi assim com Roriz, Arruda, Rosso e Rollemberg. Não chegou a hora de ser protagonista?

Izalci  Exatamente, passou da hora. Nós já devíamos ter feito isso. Para você ter ideia, você que mora em Brasília a muito tempo, em 1998 foi a primeira disputa que fiz para distrital pelo PSDB, o partido tinha candidatura ao governo. Quem era o líder do governo na Câmara na época era o Arruda, que era o nosso candidato, e o PSDB apoiou o Roriz, mesmo tendo candidato próprio. Então isso passou, agora nós estamos fazendo isso. Nós já temos montado quase 500 núcleos de base do partido em todas as cidades. Estamos criando o PSDB mulher em cada cidade, o PSDB jovem, e os núcleos por área. Queremos estruturar o partido para não ser protagonista, ter candidatura própria não só a Presidência da República, mas ao governo do DF, e espero que a gente consiga fazer também, federais e distritais.

AC – Nas últimas eleições, o então candidato do PSDB, Luiz Pitiman, obteve apenas 4,46% dos votos válidos, ficando em quarto lugar. Como o senhor pretende mudar este quadro?

Izalci – Acho que o mais importante é apresentar para sociedade uma proposta de gestão para o governo, uma proposta que vai sensibilizar o eleitor, a votar não em pessoas, como tem sido feito, mais sim em projetos e propostas, para que o eleitor saiba, quando será feito, como será feito e com quem será feito. As pessoas têm que saber disso antes. Então não dá para continuar a eleger pessoas só com discurso demagógico, com propostas demagógicas, como aconteceu com a presidente Dilma e o próprio Rollemberg. Se você pegar todas as promessas que ele fez, basta pegar o Youtube, hoje você tem tudo gravado, você vai ver que tudo que ele prometeu, praticamente nada cumpriu, e ele dizia isso, na primeira semana vou fazer isso, nos primeiros 100 dias vou fazer aquilo, e não fez absolutamente nada. A população já está descrente com isso, e ela vai querer ver algo concreto. É isso que nós estamos fazendo desde 2012, um projeto com estrutura, com detalhes que a população vai perceber que é possível mudar o que está aí.

AC – Deputado Izalci, no Distrito Federal, algumas pré-candidaturas começam a despontar visando 2018, como é o caso de Filippelli, Rosso, Frejat, Renato Rainha, Fraga e o próprio Rollemberg. Como o senhor avalia as chances de disputa com esses possíveis candidatos? O Senhor tem conversado com alguns deles?

Izalci – Cada caso é diferente. No caso de Rollemberg, ele sempre esteve ao lado do PT, ele nunca disputou uma eleição fora disso. Nós temos que ter a capacidade de juntar os grupos, pois já trabalhamos juntos. O Fraga foi secretário comigo, o Rosso também trabalhou conosco, o Filippelli trabalhou no governo Roriz. Se nós conseguirmos a capacidade de juntar este grupo, não tenho dúvidas que conseguiremos a vitória. Eu vejo o Fraga e o Rosso, com potencial muito grande para o Senado, vejo o Filippelli um grande executivo, que pode ser um bom vice. É nesta composição que vamos trabalhar, evidentemente, não é só querer, você tem que demonstrar, conversar, mostrar os projetos, engajar todo mundo, mas o importante é estarmos juntos, para não dar mais motivos, pra esse pessoal que não tem a mínima capacidade de gestão, nem perfil de gestor, pra administrar uma cidade como a nossa, que está cheia de problemas. Eu participei domingo agora de uma reunião, com mais de 1000 funcionários, vendedores do Sindatacadista, e lá eles estavam fazendo curso de capacitação justamente por que a competitividade hoje é muito grande, a concorrência é muito grande, então eles escolhem muito bem os seus gerentes, seus diretores. Para governar a cidade que é muito mais difícil, não podemos colocar qualquer um de qualquer jeito. Isso tem que acabar, nós não podemos votar em pessoas, temos que votar em propostas.

AC – Um dos graves problemas no DF é a questão da Saúde Pública. O governo quer implantar as Organizações Sociais para gerir a Saúde do DF. Como o senhor avalia esta situação?

Izalci – Saúde, Educação e Segurança, são áreas muito sensíveis, você tem que ter muito cuidado nas questões. Eu tive a 15 dias atrás com o ministro da saúde, ele é um cara muito arrojado, com perfil executivo, e perguntei a ele se tinha condições de melhorar a saúde, e ele me disse que a movimentação do setor privado chega a mais de 300 bilhões, muito superior aos investimentos em execução pública que é 280 bilhões. Então há interesses muito grande em que a rede pública não funcione, esta é a realidade. O que está faltando é gestão. No governo do DF, você não tem controle nem de estoque. Você tem equipamento de dois a três anos encaixotado, você não tem contrato de manutenção, tem uma série de fatores, devido a gestão que é muito pobre. Evidente que em determinadas áreas, como serviço de limpeza e conservação, atividade fim, que não é o essencial, a gente pode até discutir. Agora, a essência tem que ser do servidor público. Eu vejo até a possibilidade da gente discutir dedicação exclusiva, acho que a gente precisa valorizar mais o servidor. Nós votamos agora o reajuste para o servidor público, e fui questionado porque nós votamos nesta crise. Falei que pra Brasília isto é fundamental, porque move a economia do DF, e nós estamos passando uma situação difícil, porque este governo, por não ter noção do que é gestão, estamos perdendo os empresários, perdemos mais de um bilhão de receita em impostos.

AC – O senhor tem alguma proposta de políticas de saúdepara resolver o problema do entorno, que sobrecarrega a rede pública do DF?

Izalci – Quando na primeira semana do governo Rollemberg, disse a ele pessoalmente que no governo passado, o DF era o único estado que já tinha todas as carteiras emitidas pelo SUS, que é a compensação. Nós precisamos urgentemente implantar o cadastro do usuário do SUS. Os cartões já foram emitidos, é só distribuir e utilizar o sistema que é do Ministério da Saúde. É a questão de compensação, ou seja, atendeu alguém que não é do DF, você atende normalmente mais compensa isso no governo federal, então você tem muitas questões que são problemas de gestão.

AC – Entra governo e sai governo e a Cidade Digital não sai do papel. Caso o senhor seja governador, como pretende resolver esta questão?

Izalci – Você tem que ser ousado. Não pode fazer somente aquilo que o Ministério Público te autoriza. O Ministério Público é pra fiscalizar, tem que ter ousadia e fazer. Se você está fazendo a coisa correta, tranquila em benefício da população, se o Ministério Público vier questionar, você justifica. Agora, não dá tudo que você for fazer pedir autorização do Ministério Público, que normalmente não aceita. É o caso por exemplo, das empresas que estão indo embora, porque o estado de Goiás tem os incentivos. Fui questionar o governo, e disseram que todo incentivo que a gente dá, o Ministério Público entra com uma ação. Fui falar com o Ministério Público, e disseram que nunca nos procuraram pra falar disso.

AC –  Como o senhor pretende administrar caso seja eleito, os contratos temporários na área de educação no DF? O senhor tem propostas voltadas para o elevado adoecimento na sala de aula?

Izalci – Isso é mais um problema de gestão. Você pega a Secretaria de Educação, eles não sabem nem onde está faltando professor de matemática, português. Eles não têm esta tecnologia como ferramenta de gestão, são muito atrasados. Na prática, sem essa agilidade por exemplo, eu consegui em novembro de 2015, uma negociação com o ministro da educação de 40 milhões para construir quatro escolas aqui no DF. Primeiro para você ter uma ideia o quanto este governo é incompetente, eu conversei com o ministro em uma semana e na outra semana fiquei de levar quais seriam as nossas propostas pra Brasília. Solicitei a um assessor do Rollemberg para verificar na Secretaria de Educação, o que tinha pendente para a gente levar para o ministro. Ele me chega e diz que não tem nada, disse a ele, como não tem nada, são 40 milhões. Depois de muito custo, liguei para o secretário de obras, que identificou sete escolas já licitadas pelo Agnelo. Solicitei os projetos para as quatro escolas no valor de 10 milhões cada uma. Conforme o projeto, cada escola será toda equipada, com laboratório, refeitório e tudo que você imaginar. Eles apresentaram o projeto na semana da saída da presidente, e só foi ser cadastrada no sistema, no dia da mudança do novo ministro. Como não é emenda é um acordo, vou ter dificuldades agora. Já falei com o novo ministro, e disse a ele o que ocorreu. Fui ver as pendências no FNDE, existem lá mais de 300 pendências que poderiam terem sido sanadas, para construção de creches, escolas técnicas e até agora nada resolveram, concluiu.

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