Publicado 07/11/15 às 08:00

Atitude pra mudar

Por Peterson de Souza 

Nunca este slogan se mostrou tão necessário ser aplicado a um Governo como este que comanda os destinos do DF, desde a eleição de segundo turno de 2014.

Sim, pois naquele dia o governo anterior se encerrava para dar oportunidade à esperança dos que acreditaram nos compromissos de campanha do então candidato Rodrigo Rollemberg.

Logo de cara, houve uma transição mal conduzida, sem brilho, cheia de conflitos, mas principalmente sem objetivos. Ficaram na guerra de números e na disputa de egos, entre os que saíam e os que queriam chegar.

Propostas, projetos e ações foram colocadas de lado, para dar vazão exclusivamente à discussão sobre culpados e o tamanho do rombo.

Pra não dizer que não cumpriu absolutamente nada com o que se comprometera, bem que o novo governador tentou evitar o toma lá dá cá que condenava. Montou seu secretariado com apenas três indicações de políticos e/ou partidos: Leila do Volley, indicada do PRB, no Esporte; a delegada Jane, indicação do Deputado Israel na Secretaria da Criança, e a mais nova celebridade do secretariado, o Dr. Souto, indicado pelo Deputado Raimundo Ribeiro, menos pela Justiça e Cidadania, mais pela fotografia.

Os demais deputados distritais foram tidos como de segunda classe, e até para as esvaziadas administrações regionais, seus nomes foram preteridos.

Viu-se, assim, o que a turma politizada do WhatsApp costuma dizer: entrou um time de segunda para comandar uma cidade de primeira.

Conflito passou a ser a marca do atual governo. Tem sido assim com os servidores, tem sido assim entre classes sociais, tem sido assim com fornecedores, tem sido assim com os parlamentares e tem sido assim entre os próprios integrantes de governo. Inclusive no que era chamado de núcleo duro de Rollemberg. Hoje, cada um está pra um canto. E tem aquele que saiu, mas até agora não desencarnou. Manda tanto ou até mais, do que quando estava no governo.  

Até na última e tímida reforma do secretariado, foi a voz mais ativa das decisões finais, fora o que manda e desmanda na máquina administrativa. Se seu estilo levou a este digito solitário de popularidade, precisa admitir que não serve para o que se prontificou a fazer. Afinal, nem sempre os que ganham a eleição servem para governar.

Rollemberg não pode ser tido como um político qualquer. Ganhou uma eleição improvável. Já foi deputado distrital, federal, secretário de Estado, senador da República; posições que poucos já ocuparam. E, daí, não se pode desprezar este currículo, ele registra uma trajetoria para lá de exitosa. E quem gosta realmente de Brasília, não pode aceitar que ela seja jogada fora por erros e vaidades tão sem sentido, como foi este primeiro ano de governo. É um governo que se auto destrói fazendo uma comparação com as derrubadas desastrosas que assistiu-se em diferentes cidades.

Mas o que assusta, realmente, é a incapacidade pra mudar de rumo. É sempre do mesmo. Parece disco arranhado. A tecnocracia manda, a capacidade gerencial é pífia e a vida pelo retrovisor não deixa o governo andar pra frente. Se comunica mal, uma turma sem traquejo, que você ouve na TV, no rádio ou lê no jornal e nos sites, mas não sente firmeza. 

Falta alguém para bater a mão na mesa e gritar em alto e bom som: se estas são as alternativas que esta equipe pode oferecer, está na hora de termos atitude pra mudar. Afinal, este time já deu o que tinha que dar.

Fraco como está em popularidade, Rollemberg caminha ladeira abaixo para que seu governo sirva apenas para alimentar a teoria da conspiração, pois nenhum político ou integrante partidário deixa de avaliar as pesquisas de popularidade, sem pensar na sua própria sobrevivência futura. Isto é básico em política e salta aos olhos na medida em que se vê a movimentação dos que estiveram com Rollemberg na eleição passada e que já se assanham como majoritários para 2018.

Atitude para mudar não é uma mensagem deste artigo, mas um comando do próprio grupo que construiu a vitória em 2014; e é uma pena ver isto sendo jogado fora. Apenas sete por cento de aprovação popular é para derrubar qualquer governo em qualquer canto do mundo e, no DF, não pode ser diferente. A água está na altura dos olhos, só não vê quem não quer.

Quem realmente acreditou e acredita neste projeto tem que ser os primeiros a abrir caminho para que as mudanças sejam feitas.

O povo não suporta mais esperar, não aguenta mais conflitos e, principalmente, está farto de incompetência - uma doença tão visível quanto à reprovação popular. Mas como uma diferença, se demorarem mais a tratar essa ferida aberta, ela se tornará incurável e a história de governador de um mandato só, vai se cristalizando a passos largos.

Governador, há vida política inteligente além dos que lhe rodeiam. Dá uma sacudida no seu governo. Traga nomes que imponham respeito e não que se mostrem afáveis e manejáveis por quem quer que seja. Pessoas que possam lhe trazer resultados e que façam do que foi prometido pelo senhor, na campanha de 2014, uma bandeira permanente de ação política em favor da cidade. Que saibam se comunicar para dentro e para fora do governo. 

Não se deixe mais enganar pela tecnocracia de aparência. Bonita na teoria por fora, mas totalmente vazia e ineficaz por dentro. Seu governo não tem cheiro de povo e, mais do que nunca, é hora de ter "Atitude pra Mudar", antes que seja tarde demais.

Fonte: Redação 

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